Construindo Pontes entre as Ciências Sociais em Moçambique | Universidade Eduardo Mondlane

 

 

 

Maputo abrigou o Simpósio Internacional que reuniu pesquisadores estrangeiros e comunidade local em torno de vários temas acadêmicos atuais

Texto: Cláudio Manoel Duarte

Nos dias 05 e 06 de setembro de 2018, foi realizado em Maputo (Moçambique), no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, um importante evento do campo acadêmico: o Simpósio Internacional Construindo Pontes entre as Ciências Sociais. O evento contou com cerca de 23 palestras, além de exibição de filmes e workshops. A solenidade de abertura teve as presenças e falas de Cláudio Mungói, Director da FLCS (UEM-Maputo), Ute Fendler (Universidade de Bayreuth, Alemanha), Anne Nangulu, da Universidade Moi (Quénia), Carla Braga, Diretora Adjunta para Investigação e Extensão, FLCS, Carlos Cuinhane, Depto.  de Sociologia, FLCS (UEM-Maputo).  O evento foi realizado pela FLCS (Faculdade de Letras e Ciências Sociais-UEM) numa ação conjunta com BIGSAS (International Graduate School of African Studies) da Universidade de Bayreuth.

“O Simpósio Internacional Construindo Pontes entre as Ciências Sociais, em Maputo, foi muito positivo por ter conseguido juntar investigadores das ciências sociais, nacionais e internacionais, para partilhar resultados e propostas de pesquisa, refletir e estabelecer interconexões para a produção do conhecimento”, declara Esmeralda Mariano, uma das articuladoras do evento, professora no Departamento de Arqueologia e Antropologia da FLCS, Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Segundo Mariano, foi uma oportunidade observar que na Faculdade de Letras e Ciências Sociais existe uma variedade de pesquisas de interesse comum entre os investigadores, mas, no entanto, sem as características de um trabalho interdisciplinar. “O encontro chamou atenção sobre o potencial de especialistas dos diferentes saberes e sobre a necessidade de aumentar a comunicação entre os seus campos de investigação, com o intuito de complementar e enriquecer as pesquisas, por meio de olhares e perspectivas teórico e metodológicas diferenciadas”, complementa.

Dentre os palestrantes, além de pesquisadores locais, houve presenças de professores-pesquisadores  da Alemanha, Camarões, Brasil, Quénia, com vários temas abordados em diferentes perspectivas, divididos em blocos temáticos: Comunicação Social, Multimídia; Literatura, Identidades Trans nacionais e Ambiente; Estruturas Familiares, Migração e Gestão de Recursos; Género, Saúde Sexual e Reprodutiva e Sexualidade; Ensino, Oralidade e Pesquisa-Ação; Ensino de Literacia e Mídia.

Teresa Manjate (CEA, UEM) igualmente defende o conceito de criação de rede que o evento propôs. “O Simpósio teve como objetivo juntar docentes e investigadores de diferentes áreas de Ciências Sociais de diferentes países de modo a estabelecer contactos, criar novas sinergias e perspectivas de trabalho conjunto. Os investigadores inteiraram-se das áreas de interesse possíveis, em articulação com o conjunto das universidades envolvidas, de modo a concretizar propostas de abordagens multidisciplinares e multiculturais. Deste encontro acadêmico já surgiram interesses concretos de pesquisa em áreas de Comunicação, Sociologia , História, Demografia e Antropologia”, informa Manjate.

Os moderadores das mesas e debates foram Aurélio Cuna, Dept. Literatura, FLCS; Emídio Gune, Dept de Arqueologia e Antropologia, FLCS; Hilário Madiquida, Dept. Antropologia  e Arq, FLCS; Eliseu Mabasso, Dept. Linguística e Literatura, Antropologia, FLCS; Clarissa Vierke, Universidade de Bayreuth, Alemanha; Ute Fendler, Universidade de Bayreuth, Alemanha; Marlino Mubai (também Mestre de Cerimônia do evento), Dept. História, FLCS; e Teresa Manjate, CEA, UEM.

Para Ute Fendler (BIGSAS, Universidade de Bayreuth, Alemanha), atualmente exercendo a função de Professora Catedrática dos Estudos Romances e Culturais e Vice-diretora da Academy of Advanced African Studies, esta ideia se desenvolveu durante a cooperação entre professores da FLCS/UEM e os professores da BIGSAS/Universidade de Bayreuth, desde 2008. “Bayreuth International Graduate School of African Studies é uma escola de doutoramento multi e interdisciplinar, multilingual com uma rede de cooperações com 6 universidades africanas, com a possibilidade também de cooperações acadêmicas ligadas ao ensino e à pesquisa. Assim grupos de pesquisa em literatura, geografia, linguística já vinham trabalhando juntos durante há alguns anos”, informa Fendler.

Segundo ainda a professora Fendler, com o passar do tempo, “sentiu-se a necessidade de avançar no sentido de integrar colegas pesquisadores de outros países, atravessando as fronteiras linguísticas também”. Novas cooperações surgiram, como o Programa de Mobilidade Académica Intra-África (AMAS – Academic Mobility for African Sustainable Development), que é “um projeto financiado pela EU para a mobilidade no continente. É também  fruto da cooperação das universidades parceiras, como a de Rabat (Morocco), Abomey-Calavi (Benin), Addis Ababa (Etiopia), Eldoret (Quenia) e Maputo (Mozambique). Estudantes e professores podem estudar, pesquisar, ensinar num destes países, em livre trânsito acadêmico”, complementa Fendler, coordenadora da Cooperação das Parcerias do  BIGSAS.

Ainda sobre o AMAS (Academic Mobility for African Sustainable Development), Esmeralda Mariano informa que o mesmo é central no processo de internacionalização, possibilidade de capacitação dos investigadores, e “melhorar as competências entre os estudantes da pós-graduação, através do estabelecimento de rede de trocas e alianças transnacionais entre estudiosos”, se associando ao conceito do Simpósio em se estabelecer como um evento que trabalha na perspectiva de construir pontes entre as ciências sociais.

Apresentaram trabalhos de pesquisas no Simpósio os estudantes e professores Narcisse Wandji, Ute Fendler,  Elena Colonna, Cláudio Manoel Duarte, Clarissa Vierke, Marlino E. Mubai, Anne Nangulu,  Manuel Macia, Paulo Lopes José, Esmeralda Mariano, Rehana Capurchande, Margarida Paulo, Monica Frederico, Joaquim Nhampoça, David Langa, Joaquim Razão & Vasco Magona, Humberto Macamo & Armandinho Muchanga, Percida Mahumane & Ivone Roberts, Percida Mahumane & Ivone Roberts, Nelsa João Nhantumbo, Gervásio Absolone Chambo, Carlito Companhia, Carlos Manuel; Amarcy, Yassine Chicombe e Edma Aleixo e Aurélio Zacarias Simango. Além das conferências, houve o workshop Música, tecnologia e cultura do DJ e exibição dos filmes Moda.Devir (das criações de Carol Barreto), de Cláudio M. Duarte, e Les Saignantes, filme de J.P. Bekolo, ambos seguidos de debates.

 

OS TEMAS

– O programa BIGSAS e Construindo Pontes (Building Bridges)- Experiência de AMAS (Mobilidade Intra-Africa)
– Áreas de Investigação da FLCS & Unidade de Investigação “Diversidade, Género e Saúde”
– Hiperpalco? Espetáculos streaming em ambientes hipermidiáticos
– Avant-garde cinema in Africa: the case of Jean-Pierre Bekolo
– Estudos culturais românicos: questionando discursos sobre a migração: a migração como uma experiência fundamental do Homem baseada em “Tey” de Alain Gomis (Senegal 2012) e “Os últimos de nós” de Ala Eddine Slim (Tunísia, 2016)
– Adolescentes, Programa Rádio Ouro Negro e Mudança social em Moçambique
– Literaturas em Línguas Africanas. Atravessando a Costa: o Swahili da Costa Oriental de África como uma Zona de contacto
– Identidades Transnacionais: Ambiente e Sociedades na África Austral- Insegurança no Quênia Contemporâneo: um discurso histórico, transnacional e mudança global
– Mudanças estruturais em famílias Moçambicanas no período Pós-conflito : Dinâmicas sociais e agências individuais
– História Ambiental: Acesso e Gestão de Recursos Naturais em Moçambique e África Austral
– Desafios para o Pluralismo Médico em Moçambique: O que podemos aprender do passado- Percepções e tomada se decisões relativamente a mulheres sero-positivas nas Zonas rurais da Provincia de Maputo, Moçambique
– Compreendendo a prevenção de HIV/SIDA na Mafalala, Maputo (Moçambique)
– Prevalência de aborto e factores associados entre adolescentes e mulheres jovens em zonas urbanas moçambicanas: um estudo transversal
– Compreendendo as implicações ao nível de saúde e educação dos casamentos prematuros e da maternidade precoce para as meninas nos distritos de Morrumbala e Maganja da Costa no Centro de Moçambique
– Projecto de Elaboração de Elementos da Gramáica de Lomwé & Elementos de Gramática do Nyanja- Pesquisa Acção em Escolas Moçambicanas e o seu Papel na Melhoria do Ensino e Aprendizagem de Inglês como Língua Estrangeira: o Caso da Escolas Secundárias de Maputo
– Oralidade na sala de aulas: O caso da leitura interactiva no processo de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras
– Modelo de Educação Bilingue deMoçambique: o processo de transiçãoda L1 para a L2
– Dicionário de Termos de Ensino-Aprendizagem em Copi
– Projecto: estudo longitudinal sobre a avaliação do translanguaging e cross-cultural learning como proposta pedagógica alternativa para as classes de pós-transição em Moçambique
– Avaliação do processo de ensino-aprendizagem do portuguesa no ensino secundário geral em Moçambique
– Ensino da literacia inicial em Moçambique: um desafio aos actuais paradigmas de pesquisa
– Intenção de pesquisa em (int)tradutibilidade das expressõµes idiomáticas
– Estudo comparativo do impacto do Tom nas construçōes predicativas em algumas línguas Moçambicana: o caso de Xichangana, cicopi, cimanyika, Emakhuwa e Shimakonde e o Português
– A presentação e debate do filme de J.P. Bekolo “Les saignantes”